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Má que jête?

Este mundo tá passado dos carretos ´moss!

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25
Mar14

O principio do fim

Susana

Talvez já muitas vezes tenha pensado nisso, muitas vezes desejei trilhar diferentes caminhos, diferentes futuros e talvez em todas essas vezes a coragem me tenha faltado, o medo tenha levado a melhor.

Nunca gostei de mudanças, sempre fugi, fugi e as escondi dentro de um baú interior fechado a sete chaves dentro de mim, tão fechado que chegou a prejudicar-me, um prejudicar consciente sempre com a minha permissão.

As mudanças causam-me angústia, uma angústia talvez causada por uma dor passada, tão intensa que me paralisa até hoje, não é desculpa pois não mas a verdade é que cá dentro o passado ainda condiciona o meu presente, o meu futuro, por isso deixo-me ficar, por isso deixo passar o tempo como quem deixa passar areia por entre os dedos.

Tudo me foge, até eu fujo de mim, de agir, de andar para a frente, de decidir e de arriscar, fujo com medo do medo, com medo do futuro, fecho os olhos à luz e deixo-me viver no escuro e há tantos anos que nele vivo...

Esta angústia mata e apesar de muitos pensarem que basta pensar positivo, que basta ter força de vontade que tudo se resolve a realidade é bem mais dura que isso, é preciso ajuda, são precisas palavras...são precisos abraços...

Mudar pode ser bom sim senhor (repito isto a mim imensas vezes) mas e chegar lá?! os nó dos dedos chegam a ficar roxos da força que faço sem dar por isso tentando contrariar o medo, é difícil, tão difícil.

Hoje uma mudança chegou, uma da qual não vou poder fugir, uma mudança daquelas grandes, daquelas que me faz hiperventilar de ansiedade, hoje iniciou-se o fim de algo que já dura há uns dez anos e apesar de eu saber que não ia durar para sempre lá no fundo não estava preparada, lá no fundo tinha esperança que fosse diferente, que a raiz não fosse arrancada de forma tão triste.

O meu vinculo com o sitio onde trabalho é profundo, a história é longa e dela nasceu muito de bom e também mau, dei muito de mim, dei mais que muita gente dá nos seus empregos porque também dei a minha amizade, porque me entreguei e deixei que aquele sítio se tornasse parte de mim, deixei que se entranhasse em mim ficando fechado no tal baú, instalei-me, acomodei-me mas mais importante de tudo apaixonei-me pela minha profissão e ali pude crescer muito mais do que pensei algum dia crescer.

O contacto com as pessoas, doentes, o facto deles se entregarem às nossas mãos para os tratarmos é algo indescritível, as amizades que se constroem, o sentimento de dever cumprido é maravilhoso, ver alguém dizer que está melhor graças a nós faz tudo valer a pena.

Talvez no meio de tudo isto aquilo que me vai doer mais é deixar de partilhar as oito horas diárias com a pessoa com quem trabalho, a minha colega é muito mais que isso é também minha família, é também parte de mim, alguém com quem posso contar, uma amizade que cresceu ao ponto de bastar um olhar para uma saber o que pensa a outra. Tudo nela me vai fazer falta as nossas brincadeiras, as piadas parvas que no meio das crises sempre nos faziam rir, vou sentir muita falta dela me dar na cabeça por causa de asneiras que muitas vezes faço, vou sentir muita falta das nossas conversas...vou sentir muita falta dela.

Hoje precisava de escrever este texto pois esta mudança vai mudar tudo e vai fazer com que volte às minhas origens, vou ficar mais perto de quem amo muito, também mais longe de alguém que também amo muito mas apesar da a distância aumentar vamos lutar para nada mudar.

Já me alonguei demais hoje...acredito (forço-me a acreditar) que esta mudança será pelo melhor, vai-me fazer crescer novamente...

 

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